INÍCIO / Ciência / Pela primeira vez, pequenos robôs tratam infecção num organismo vivo

Pela primeira vez, pequenos robôs tratam infecção num organismo vivo

Artigo original Teodora Zareva

Tradução Igo Araujo


Fonte: Google Imagens

 

Cientistas do departamento de nanoengenharia da Universidade da Califórnia conseguiram usar micromotores para liberar antibióticos diretamente no intestino de um rato e tratar uma infecção gástrica causada por bactérias. É a primeira vez que tal técnica é usada num organismo vivo e pode pavimentar o caminho para aplicações no tratamento de diversas doenças. O estudo foi publicado na Nature Communications.
A infecção era causada pela bactéria H. pylori — um tipo comum, encontrado no trato digestivo de mais da metade das pessoas no mundo. H. pylori pode causar úlceras, no estômago e intestino delgado, e gastrite. A bactéria é capaz de viver no ambiente ácido do estômago e pode penetrar a parede do órgão, onde as células do sistema imunológico não são capazes de alcançar.

O ambiente ácido do estômago e a localização da bactéria tornam o tratamento com antibióticos difícil. Antibióticos devem ser administrados com inibidores da bomba de prótons para reduzir a produção de ácido gástrico e preservar a efetividade do remédio. Infelizmente, o uso de inibidores podem causar outros problemas a longo prazo, como dores de cabeça, diarréia e até mesmo ansiedade e depressão. Por isso um tratamento que pode liberar diretamente no local da infecção sem o uso de inibidores pode ser extremamente benéfico.

Os cientistas criaram minúsculos motores feitos com um núcleo esférico de magnésio, coberto por várias camadas. Uma camada, carrega o antibiótico, a outra, permite adesão à parede do estômago, garantindo a entrega localizada. Os motores são impulsionados pelo ácido gástrico, usado como combustível por meio de uma reação química. Essa reação também reduz temporariamente a acidez do ambiente.

O tratamento se provou mais efetivo que o tratamento antibiótico regular. Além disso, o pH do estômago voltou ao normal em 24h, enquanto os próprios motores foram dissolvidos, deixando nenhum traço de toxicidade.

De acordo com os pesquisadores, este estudo e seus resultados positivos abrem as portas para o uso de motores sintéticos na aplicação de tratamentos para outras doenças.

Avalie esse artigo

0

Nota total

Agradecemos a sua avaliação!

User Rating: 5 ( 1 votes)

Sobre GEDbioética

O Grupo de Estudos e Discussões em Bioética – GEDbioética, foi fundado em 2012, por um grupo de alunos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de São José do Rio Preto, com objetivo difundir e debater temas relacionados à bioética. Nossa missão é construir um ambiente permissivo à pluralidade de ideias. Além disso, criar um vínculo com a comunidade, a qual é essencial para a construção do conhecimento.

VEJA TAMBÉM

Nós precisamos acreditar que temos livre arbítrio?

Artigo original por Scotty Hendricks Tradução Igo Araujo   Em algum momento da sua vida, você …

  • Que foda! Espero que mais e mais se consiga com esse tratamento.