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Morte cerebral, o desafio de se saber quando o cérebro “morre”


Texto original: Observatorio de Bioética

Tradução: João Souza


É um grande desafio saber quando o cérebro para de funcionar devido a um dano irreversível e quando a morte ainda pode ser revertida.

Fonte: Google Imagens

Os estados vegetativos, também chamados de estado de coma, fazem emergir alguns dos dilemas bioéticos mais delicados e complexos. Basta se lembrar dos nomes Terri Schiavo, nos Estados Unidos ou Eluana Englaro, na Itália, com suas disputas médicas, familiares e jurídicas. Os avanços técnicos, desde os pulmões de aço, os sistemas artificiais de ventilação e assistência cardiovascular, junto com a nutrição parenteral e o diagnóstico por imagem têm salvado muitas vidas, mas também têm gerado conflitos éticos inexistente há 50 anos.

Por milênios, a definição de morte foi simples e direta: quando o coração parava, a pessoa morria; os batimentos cardíacos ou a respiração eram interrompidos, o que provocava o fim das funções cerebrais. Os esforços modernos “ressuscitadores” têm dado esperança a um grande número de pacientes em estado vegetativo persistente, um grave transtorno mental, no qual um resquício de consciência sobrevive e a pessoa segue, então, vivendo. em termos biológicos.

Os estudos disponíveis concordam com o fato de que um quarto dos pacientes em estado vegetativo persistente, quando hospitalizados, têm grandes chances de recuperar boa parte de suas faculdades mentais, e, cerca de metade deles recobram algum nível de consciência. As imagens de ressonância e a Tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla inglesa), comprovam também que cerca de 30 a 40 por cento destes pacientes recebem equivocadamente um diagnóstico de estado vegetativo, quando, na verdade, se encontram em um estado de mínima consciência.

Essas adequações, somadas ao fato de que alguns pacientes acordam de maneira espontânea ou por ação de fármacos, têm criado novos debates sobre os níveis de atenção, a legislação vigente e as pesquisas neurológicas. As classificações, escalas e protocolos têm sido melhoradas nos últimos anos, mas notáveis diferenças de critério persistem.

Fonte: Google Imagens

 

As pressões eutanásicas de alguns países, o desgaste das famílias cuidadoras e a justificável pressa para se conseguir órgãos, sempre escassos, para a realização de transplantes, poderiam, em certos casos, acabar com vidas recuperáveis, cujos cérebros, aparentemente mortos, poderiam despertar após vários dias, como aconteceu em alguns casos de hipotermia aguda. O fato de que o cérebro para de funcionar não significa que com os conhecimentos médicos atuais a morte seja irreversível. Alguns anestésicos, por exemplo, detêm a atividade cerebral em doses altas.

Consequentemente, é um grande desafio saber quando o cérebro para de funcionar devido a um dano irreversível e quando a morte pode ser revertida, como afirma Sam Parnia, médico da UTI do Weill Cornell Medical Center e diretor do projeto Aware, que há anos coleta estes casos limítrofes em que vida e morte jogam um misterioso jogo pela sobrevivência. “Qual é o momento exato em que a morte se transforma em uma realidade absoluta? Na verdade, não sabemos – responde Parnia- e independente do momento escolhido, será arbitrário, então, é bastante possível que tenhamos que redefini-lo, no futuro, levando em conta os avanços em nossa capacidade de ressuscitar as pessoas”.

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Sobre GEDbioética

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