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As cores da biotecnologia


Texto original: BiotechSpain

Tradução: João Souza


Fonte: Google Imagens

 

A utilização dos seres vivos, suas partes ou os produtos de suas atividades para o uso industrial constitui a base da biotecnologia. Existem exemplos do uso biotecnológico de micro-organismos desde tempos antigos, como a fermentação de bebidas alcoólicas e a produção de pão. Desta perspectiva, inclusive a seleção e obtenção de diferentes variedades produtivas de plantas e animais de interesse para a indústria agrícola ou pecuária ao longo da história poderiam ser consideradas. O descobrimento e caracterização dos processos de manutenção e fluxo de informações biológicas têm provocado a expansão do número de aplicações da biotecnologia.

Meios científicos e industriais, cada vez mais especializados e diversos, fazem uso da biotecnologia como ferramenta para seus processos, em maior ou menor escala.  Esta diversidade determinou, por sua vez, a necessidade de um sistema de classificação dos usos da biotecnologia que os agrupe de acordo com suas características comuns ou com sua utilidade final. Como resultado, atualmente se consideram cinco grupos fundamentais de usos biotecnológicos, que têm sido identificados por um código de cores.

A biotecnologia vermelha agrupa todos os usos da biotecnologia que se relacionam com a medicina. A biotecnologia vermelha inclui a produção de vacinas e antibióticos, o desenvolvimento de novos fármacos, técnicas moleculares de diagnósticos, as terapias recreativas e o desenvolvimento da engenharia genética para curar enfermidades através da manipulação genética. Alguns dos exemplos mais relevantes da biotecnologia vermelha são, a terapia celular e a medicina regenerativa, a terapia genética e os medicamentos baseados em moléculas biológicas, como o uso de anticorpos para fins terapêuticos.

A biotecnologia branca engloba todos os usos da biotecnologia relacionados com os processos industriais. Por esta razão, a biotecnologia branca é também conhecida como biotecnologia industrial. A biotecnologia branca presta atenção especialmente ao desenvolvimento de processos e produtos que consumam menos recursos que os tradicionais, criando opções energeticamente mais eficientes ou menos poluentes. Existem numerosos exemplos de biotecnologia branca, como a utilização de micro-organismos para a produção de produtos químicos, a criação e produção de novos materiais de uso cotidiano (plásticos, têxteis, etc.) e o desenvolvimento de novas fontes de energia sustentáveis, como os biocombustíveis.

A biotecnologia cinza se constitui por todas as aplicações diretas da biotecnologia no meio ambiente. Podemos subdividir tais aplicações em duas grandes ramos de atividade: a preservação da biodiversidade e a eliminação de contaminantes. Com relação ao primeiro, cabe destacar a aplicação da biologia molecular nas análises genéticas de populações e espécies integrantes de ecossistemas, sua comparação e catalogação. Também podem ser incluídas as técnicas de clonagem com o fim de preservar espécies e a utilização de tecnologias de armazenamento de genomas.  No caso da eliminação de contaminantes, ou biorremediação, a biotecnologia cinza faz uso de micro-organismos e espécies vegetais para o isolamento e a eliminação de diferentes substâncias, como metais pesados e hidrocarbonetos, com a interessante possibilidade de aproveitar posteriormente essas substâncias ou utilizar subprodutos derivados desta atividade.

A biotecnologia verde se concentra na agricultura como campo de exploração. As aproximações e usos biotecnológicos verdes incluem a criação de novas variedades de plantas de grande interesse agropecuário, a produção de biofertilizantes e biopesticidas, o cultivo in vitro e a clonagem de vegetais. A primeira destas aproximações é a que tem experimentado um maior desenvolvimento e também a que tem despertado maior interesse e gerado mais controversas na sociedade. A criação de variantes modificadas de plantas se baseia quase exclusivamente nos transgênicos, ou a introdução de genes procedentes de outras variedades ou organismos nas plantas de interesse.  Por meio da utilização desta tecnologia tenta-se alcançar três objetivos fundamentais. Em primeiro lugar, se busca a obtenção de variedades resistentes à pragas e enfermidades. Um exemplo é que, atualmente, se utilizam e se comercializam variedades de milho resistentes à pragas como a broca-do-milho. Uma segunda utilização de plantas transgênicas está voltada ao desenvolvimento de  variedades com melhores propriedades nutricionais (por exemplo, que contenham mais vitaminas). Por último, as plantas transgênicas também são estudadas como um meio para a produção de variedades de plantas que atuem como uma espécie de “bio-fábrica” que produza substâncias de interesse médico, bio-sanitário e industrial em quantidades que possam ser facilmente isoladas e purificadas.

A biotecnologia azul se concentra na exploração dos recursos marinhos para a geração de produtos e aplicações de interesse industrial. Se levarmos em conta a grande biodiversidade oferecida pelo mar, há um enorme potencial de setores que podem se beneficiar dos usos da biotecnologia azul. Muitos dos produtos e aplicações da biotecnologia azul se encontram em fase de pesquisa e investigação, mas já existem exemplos da utilização de alguns destes de forma cotidiana.

Sem dúvida, o uso de matérias primas de origem marinha é a biotecnologia azul que mais se projeta nos mais variados setores. Estas matérias primas, na maioria hidrocoloides e gelificantes, já estão sendo amplamente utilizadas na alimentação, saneamento, depuração, etc. A medicina e a pesquisa científica são outras grandes beneficiárias do desenvolvimento da biotecnologia azul. Algumas moléculas marcadoras procedentes de organismos marinhos já têm sido usadas cotidianamente em pesquisas. Também se isolam moléculas com atividades enzimáticas úteis para diagnóstico e pesquisa a partir de organismos marinhos.  Alguns biomateriais e agentes com atividade farmacológica ou regenerativa podem ser obtidos ou estão sendo pesquisados para seu uso nestes setores. Por fim, setores como a cosmética e a agricultura analisam o potencial da biotecnologia azul para seu desenvolvimento futuro.

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Sobre GEDbioética

O Grupo de Estudos e Discussões em Bioética – GEDbioética, foi fundado em 2012, por um grupo de alunos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de São José do Rio Preto, com objetivo difundir e debater temas relacionados à bioética. Nossa missão é construir um ambiente permissivo à pluralidade de ideias. Além disso, criar um vínculo com a comunidade, a qual é essencial para a construção do conhecimento.

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